24/05/2012 - 06:00 | Jornal do Oeste - Toledo/Pr

Aterro Sanitário começa a produzir energia a partir do lixo


Fabíola Dalla Vecchia

O lixo depositado no Aterro gera o gás metano, que é canalizado por dutos externos

O lixo que geramos diariamente pode ter diversos destinos. Cerca de 30% dele é passível de reciclagem. São plásticos, vidros, metais, papéis que voltam a ser utilizados das mais criativas formas. O restante chama-se material orgânico e seu destino é, em regra geral, o Aterro Sanitário.

Lá ele entrará em decomposição e este processo gera o chorume – a parte líquida – e o gás metano. Estes efluentes altamente poluentes, se não manejados da maneira adequada, podem causar grandes problemas ambientais.

Fabíola Dalla Vecchia

 

O gás antes queimado agora é direcionado a um cano

No entanto sistemas de reutilização os transformam em fontes de energia. É o caso do gás metano (biogás) que está sendo utilizado para gerar energia elétrica no Aterro Sanitário de Toledo.

O gerador é movimentado por um motor de seis cilindradas que é acionado e mantido em funcionamento com o biogás. O equipamento pode gerar 50 kVA, energia suficiente para manter as estruturas da Usina de Reciclagem, anexa ao Aterro.

Com isso o espaço que usualmente consome energia da rede de distribuição da Copel poderá ser autossustentável energeticamente. "A energia gerada será distribuída na rede interna: tomadas, lâmpadas e motores", explica o engenheiro civil da Secretaria do Meio Ambiente, Flávio Augusto Scherer.

O sistema ainda está sendo testado, mas em breve entrará em atuação. O gerador foi adquirido de uma empresa de Toledo que irá acompanhar o processo e fazer as manutenções.

Fabíola Dalla Vecchia

 

 

O cano percorre uma distância entre a captação e o gerador

A CAPTURA DO GÁS

Desde sua implantação, o gás gerado pela decomposição dos resíduos era queimado antes de ser expelido à atmosfera. Agora, em nove dos 12 tubos onde o gás é canalizado do monte de lixo, está um equipamento que direciona o metano a uma rede de tubulação.

Estes canos percorrem uma distância até chegar a casa onde está o gerador. "Antes este gás era desperdiçado agora utilizamos para gerar energia e esta atitude reduz os impactos causados pelo metano na camada de ozônio", reforça Scherer.

Nos outros três pontos de tubos, o biogás também é usado. Ele gera um conjunto de moto-bomba que suga o chorume e insere no monte novamente, provocando o aceleramento da decomposição. Assim, gera-se mais gás metano e mais energia.

Fabíola Dalla Vecchia

 

Aqui o biogás aciona o motor que movimenta o gerador

NÚMEROS

Um estudo será realizado para analisar a viabilidade do processo. Não há dados exatos que quantifiquem, por exemplo, a durabilidade do motor utilizando gás produzido pelo lixo.

Também é desconhecida a quantidade de gás necessária para abastecer outros ambientes. "Sabemos que este volume é suficiente para as estruturas do Aterro e da Usina de Reciclagem. É possível que a energia seja vendida, mas o nosso foco é o consumo interno", destaca o engenheiro Flávio Augusto Scherer.

Fabíola Dalla Vecchia

 

E a energia gerada será utilizada para o consumo interno da Usina de Reciclagem e Aterro Sanitário

SAIBA MAIS

O gerador de energia foi adquirido com recursos do Fundo Municipal do Meio Ambiente, ao custo de R$ 88.935,00. A destinação foi aprovada pelo Conselho Municipal do Meio Ambiente. A tecnologia é simples, de baixo custo e eficiente.

Usina de Reciclagem em transformação

Esteiras para a triagem, máquina para a prensa dos materiais, espaço maior e mais energia elétrica. A nova estrutura da Usina de Reciclagem irá comportar um volume maior de resíduos coletados em Toledo. Mas esta mudança traria também uma despesa maior no consumo de energia.

O engenheiro da Secretaria do Meio Ambiente, Flávio Augusto Scherer, estima que poderia haver um acréscimo de 30%. No entanto, com a instalação do gerador de energia movido pelo biogás, a conta pode chegar próxima de zero, considerado o uso da energia da rede em determinados momentos.

Um Aterro Sanitário exemplar

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) define os aterros sanitários como um espaço para receber resíduos sólidos urbanos, sem causar danos ou risco à saúde pública e à segurança, minimizando os impactos ambientais.

A base do aterro deve receber uma camada de plástico impermeável de polietileno de alta densidade, sobre um solo compactado para evitar o vazamento do líquido evitando a contaminação dos lençóis freáticos. O chorume deve ser tratado e/ou reinserido no monte, minimizando a poluição ao meio ambiente. O gás metano também deve ser queimado ou beneficiado.

Todos estes processos são realizados no Aterro de Toledo. Há ainda projetos para realizar a compostagem do rejeito. "São várias soluções que estamos analisando para colocar em prática", ressalta o engenheiro Flávio Scherer.

No entanto a atual estrutura já coloca este Aterro entre os mais bem equipados da região. Scherer garante que são poucos os municípios que contam com esta dinâmica.